O Impacto Metabólico

1. O Pico Insulínico: Açúcar, Amido e Carboidratos Refinados

Alimentos como arroz branco, pão, biscoitos, cuscuz e farinha láctea possuem um alto índice glicêmico. Ao serem ingeridos, eles se transformam em glicose quase instantaneamente.

O problema: O pâncreas é forçado a liberar uma carga maciça de insulina. Com o tempo, as células tornam-se resistentes a esse hormônio, levando ao pré-diabete e ao diabete tipo 2.

Xarope de Milho: Presente em refrigerantes e ultraprocessados, é rico em frutose industrial, que não é metabolizada pelas células como energia, mas vai direto para o fígado.

2. O Fígado Sob Ataque: Esteatose Hepática

A Esteatose Hepática (gordura no fígado) não vem apenas da gordura que comemos, mas principalmente do excesso de açúcar e frutose.

Suco vs. Fruta: Quando você come a fruta, as fibras retardam a absorção do açúcar. No suco (mesmo o natural), você consome o açúcar de várias frutas de uma vez, sem as fibras. Esse “bombardeio” de frutose líquida faz com que o fígado converta o excesso em gordura rapidamente.

3. Inflamação Sistêmica: Óleo de Soja e Margarina

Estes óleos vegetais refinados são ricos em Ômega-6, que em excesso é pró-inflamatório. A margarina, muitas vezes carregada de gorduras hidrogenadas ou interesterificadas, danifica a flexibilidade das membranas celulares e contribui para doenças cardiovasculares e danos nervosos.

4. A Neuropatia Diabética

O excesso de açúcar no sangue é tóxico para os nervos. Ele causa o “caramelizamento” (glicação) das proteínas e danifica os pequenos vasos sanguíneos que alimentam os nervos, resultando em dor, formigamento e perda de sensibilidade, característica da neuropatia periférica.

Por que esses produtos continuam sendo produzidos?

A persistência desses alimentos no mercado, apesar das evidências científicas, deve-se a três pilares principais:

A. Custo e Logística (Eficiência Industrial)

Baratos de produzir: Monoculturas de milho, soja e trigo são altamente subsidiadas e mecanizadas.

Prazo de validade: Alimentos ultraprocessados (biscoitos, leites de caixa, achocolatados) duram meses ou anos nas prateleiras graças aos conservantes e gorduras processadas, facilitando o lucro da indústria e o transporte.

B. Palatabilidade e Vício

A combinação de açúcar, gordura e sal é desenhada por engenheiros de alimentos para atingir o “ponto de êxtase” (Bliss Point). Isso libera dopamina no cérebro, criando um ciclo de consumo muito semelhante ao vício em drogas, o que garante vendas recorrentes.

C. Conveniência e Marketing

A rotina moderna empurra a população para o que é rápido. O marketing agressivo, muitas vezes direcionado a crianças (como no caso da farinha láctea e achocolatados), cria hábitos alimentares que perduram por toda a vida, normalizando o consumo de sobremesas no café da manhã.

D. Sabotagem.

A solução para romper esse ciclo não é apenas uma “dieta”, mas sim uma reeducação metabólica focada em reduzir a inflamação e baixar os níveis de insulina no sangue. O objetivo principal é ensinar o seu corpo a queimar gordura como combustível em vez de depender constantemente de picos de glicose.

1. A Regra de Ouro: Consuma Comida de Verdade

A solução mais eficaz é priorizar alimentos que não vêm com rótulos de ingredientes.

Substitua carboidratos refinados: Troque o arroz branco, o cuscuz e o pão por vegetais que crescem “acima do solo” (brócolis, couve-flor, abobrinha, espinafre). Eles têm fibras e baixo índice glicêmico.

Troque as gorduras: Elimine o óleo de soja e a margarina. Use azeite de oliva extra virgem (frio), manteiga, banha de porco ou óleo de coco para cozinhar.

Proteínas de qualidade: Carne bovina, porco, frango, peixes e ovos são a base da saciedade. Eles não elevam a insulina de forma abrupta.

2. Estratégias para o Fígado e Pâncreas

Para reverter a Esteatose Hepática e a resistência à insulina:

Fruta sim, Suco não: Coma a fruta inteira (com bagaço e casca, se possível). Se quiser beber algo, prefira água com limão (sem açúcar) ou chás naturais.

Elimine o açúcar escondido: Aprenda a ler rótulos. Se os ingredientes incluírem maltodextrina, dextrose, xarope de milho, açúcar invertido ou sacarose, o produto é mais prejudicial.

Janelas de alimentação (Jejum Intermitente): Dar ao corpo períodos sem comer (ex: 12h ou 14h entre o jantar e o café da manhã) permite que os níveis de insulina baixem, dando tempo para o fígado “limpar” a gordura estocada.

3. Mudança de Hábito nos Industrializados

Café da manhã: Troque o achocolatado, o pão e o leite (rico em lactose/açúcar) por ovos mexidos com queijo ou abacate, como a guacamole.

Lanches: Em vez de biscoitos ou barras de cereais (que são puros carboidratos com xarope de milho), use castanhas, nozes ou pequenas porções de queijo curado.

4. O Papel do Movimento

A musculação ou exercícios de resistência são fundamentais. Os músculos são os maiores “consumidores” de glicose do corpo. Ao aumentar a massa muscular, você cria um “ralo” natural para o açúcar no sangue, melhorando drasticamente a sensibilidade à insulina e protegendo os nervos contra a neuropatia.

Um Caminho Sustentável

Não tente mudar tudo em 24 horas. Comece eliminando os líquidos açucarados (refrigerantes e sucos) e os óleos de sementes (soja/milho). Só isso já reduzirá a inflamação sistêmica de forma perceptível em poucos dias.

– Achocolatados: 75% a 90% de Carboidratos Totais (Médio). É basicamente açúcar com cor de cacau;
– Farinha Láctea: 70% a 77% de Carboidratos Totais (Médio).. É basicamente mistura de farinha de trigo (amido) e muito açúcar adicionado;
– Biscoitos/Bolachas: 65% a 75% de Carboidratos Totais (Médio).. Combinação perigosa de farinha de trigo refinada, açúcar e gordura vegetal;
– Cuscuz (Milho): 75% a 80% de Carboidratos Totais (Médio). Quase inteiramente amido de milho. Embora não tenha açúcar “”de mesa””, o amido vira glicose no sangue quase que instantaneamente;
– Leite em Pó (Integral): 35% a 40% de Carboidratos Totais (Médio). O carboidrato aqui é a lactose. Embora natural, em grandes quantidades ele eleva a insulina, especialmente em versões “”composto lácteo”” que levam açúcar.

O “Açúcar Escondido” e o Amido

É fundamental entender que, para o seu pâncreas, amido e açúcar são quase a mesma coisa.

1. Amido (Cuscuz, Pães, Farinha Láctea): O amido é uma longa corrente de moléculas de glicose. Assim que toca na sua saliva e chega ao estômago, as enzimas quebram essa corrente e liberam glicose pura na corrente sanguínea. Por isso, comer um prato de cuscuz ou 3 biscoitos de água e sal pode elevar sua glicemia tanto quanto uma sobremesa.

2. Açúcares Adicionados (Achocolatados, Biscoitos): Aqui o perigo é dobrado. Além da glicose, esses produtos contêm sacarose (açúcar de mesa), que possui frutose. A frutose industrial é a principal causa da esteatose hepática (gordura no fígado), pois só o fígado consegue processá-la, transformando o excesso diretamente em gordura.

3. Lactose (Leite em Pó): No leite em pó, a concentração de lactose é muito maior do que no leite líquido (já que a água foi retirada). Para quem tem resistência à insulina ou pré-diabetes.

Por que os percentuais são tão altos?

Esses ingredientes (amido de milho, trigo e açúcar) são os enchimentos mais baratos para a indústria. Eles dão volume, textura e conservam o produto por mais tempo, mas oferecem uma densidade nutricional baixíssima, agredindo o metabolismo a cada porção.

Por que a humanidade sempre consumiu leite e passou a fazer mais mal? Um exemplo:

O uso do hormônio sintético rBGH (Hormônio de Crescimento Bovino Recombinante), também conhecido como rbST (Somatotropina Bovina), o leite de vacas tratadas com rBGH possui níveis mais altos de IGF-1 e, o excesso de IGF-1 em humanos está fortemente ligado ao aumento do risco de câncer de mama, próstata e cólon.

Por que a humanidade sempre consumiu trigo e passou a fazer mais mal? Um exemplo:

O trigo da época de Nosso Senhor Jesus Cristo, como o Einkorn (14 cromossomos) e o Emmer (28 cromossomos), era uma planta alta, que chegava a ter mais de um metro de altura.

A) A Revolução Verde: na década de 1960, para combater a fome mundial, cientistas desenvolveram o trigo anão (moderno, com 42 cromossomos).

B) O Glúten ficou mais “Agressivo”: embora alguns defensores da indústria digam que a quantidade total de glúten não mudou drasticamente, a estrutura das proteínas mudou.

Novas Proteínas: O cruzamento genético introduziu novas formas de gliadina (uma das proteínas do glúten). Nosso sistema digestivo, que evoluiu por milênios lidando com o trigo antigo, agora enfrenta proteínas que ele não reconhece plenamente.

Poder de Inflamação: O trigo moderno expressa mais epítopos (partes da proteína) que ativam respostas imunológicas. É por isso que tantas pessoas que não são celíacas sentem um “alívio” imediato ao retirar o trigo: a inflamação silenciosa diminui.

C) O Efeito no Cérebro (exorfinas): uma das descobertas mais impressionantes — e preocupantes — citadas por especialistas como o Dr. William Davis (autor de Barriga de Trigo) é que o glúten moderno, ao ser digerido, libera peptídeos chamados gluteomorfinas.

Essas substâncias atravessam a barreira hematoencefálica e se ligam aos receptores de morfina no cérebro. Isso gera um efeito viciante e aumenta o apetite, fazendo com que você sinta uma fome constante por mais pães, massas e biscoitos.

D) Menos Nutrientes, Mais Amido: como o foco foi a produtividade, o trigo moderno é muito mais rico em Amilopectina A (um tipo de amido).

Esse amido é digerido de forma extremamente rápida, elevando a glicose no sangue de maneira mais agressiva do que o próprio açúcar de mesa em alguns casos.

Em contrapartida, a densidade de minerais como zinco, magnésio e ferro caiu drasticamente nas variedades modernas.

Por que os asiáticos consomem muito arroz e para nós faria mais mal? Um exemplo:

O chamado “Paradoxo Asiático” intriga muita gente: como eles comem tanto arroz e, historicamente, mantêm baixos índices de obesidade e doenças hepáticas?

Eles raramente usam óleo ou sal no cozimento. O arroz é feito apenas no vapor ou água. E, em várias regiões, consome-se o arroz negro, o arroz vermelho e o arroz integral, que são riquíssimos em fibras e antioxidantes que protegem o fígado.

Diferente do prato brasileiro, onde o arroz muitas vezes é a estrela principal com feijão e carne frita, o asiático tradicional usa o arroz como um “veículo”:

Proporção de Vegetais: O prato asiático típico tem uma quantidade enorme de vegetais (muitas vezes fermentados, como o Kimchi, que ajuda a flora intestinal e o metabolismo da gordura).

Proteínas Magras: Eles consomem muito peixe, frutos do mar e tofu (“queijo de soja”).

Existem mais três fatores cruciais:

Na cultura asiática, é comum começar pelas sopas ou vegetais e deixar o arroz por último ou comê-lo intercalado. Isso reduz o índice glicêmico da refeição.

Em muitos pratos (como o Sushi ou o Onigiri), o arroz é servido frio. Ao esfriar, o amido do arroz se torna “resistente”, o que significa que ele alimenta as bactérias boas do seu intestino em vez de virar gordura no seu fígado.

Por que os asiáticos sempre consumiram tofu de soja e óleo de soja nos faria mal? Um exemplo:

Para extrair o óleo da soja, o grão passa por processos industriais com altas temperaturas e solventes químicos (como o hexano). Isso resulta em uma gordura isolada, rica em Ômega-6 inflamatório. Quando aquecido para frituras, ele oxida e gera compostos que inflamam as células do fígado.

O Tofu é feito basicamente “coalhando” o leite da soja (parecido com o processo do queijo). Ele mantém as proteínas, as fibras e, o mais importante, as isoflavonas. Não há processo químico agressivo e a gordura ali é mínima e natural do grão.

O tofu contém uma substância chamada proteína de soja isolada e lecitina.

Estudos mostram que a proteína da soja pode ajudar a reduzir o acúmulo de triglicerídeos no fígado.

As isoflavonas da soja agem como antioxidantes, ajudando a “limpar” a inflamação que a esteatose causa.

Se tiver algum sintoma que seja suspeito procure um bom nutricionista e um bom médico com boa reputação nesse assunto!