Em Cristo, nós, católicos, somos todos irmãos em Cristo! E, enquanto o gênero humano foi feito à imagem e semelhança do Senhor Bom Deus, o racismo é um ato narcisista e eugenista covarde que nasceu com o cientificismo ateu. O racismo científico, como o darwinismo social, a frenologia e o determinismo geográfico, acabou culminando e sendo impulsionado pelos nazipardos no Sul do Brézil e, principalmente, na Argentina!

O ex-presidente argentino Domingo Faustino Sarmiento, que era maçom, foi um dos maiores defensores do laicismo na América do Sul. Iniciado em 1854 na Loja Unión Fraternal, no Chile, ele atingiu o Grau 33 do Rito Escocês em 1860 e chegou ao cargo máximo de Grão-Mestre da Grande Loja Argentina em 1882. Esse desgraçado pregava a maldita política do branqueamento, assim como era defendida no Império Maçônico do Brézil.

O maçom Bartolomé Mitre (1821–1906), que também foi presidente da Argentina (1862–1868), historiador e fundador do jornal La Nación, compartilhava do mesmo horizonte mental eurocêntrico e racista que Domingo F. Sarmiento. No entanto, sua retórica e seu papel político diferiam em termos de estilo e estratégia.

Enquanto Sarmiento era um ideólogo intempestivo e explícito (que escrevia barbaridades sem pudor), Mitre era o homem das instituições, o diplomata e o construtor da narrativa histórica oficial. Ele mascarava o racismo de Estado sob o manto do “progresso constitucional” e da “unidade nacional”, embora na prática tenha liderado ações de violência sistemática contra populações indígenas, negras e gaúchas.

Abaixo, encontram-se os relatos e registros históricos que expõem o racismo e a ideologia de branqueamento no pensamento de Bartolomé Mitre.

Assim como as elites brasileiras, Mitre via na imigração europeia um fator biológico e evolutivo de “salvamento” e “melhoramento” populacional. Para ele, a identidade argentina precisava ser depurada pela infusão de sangue europeu:

“A imigração é uma evolução da humanidade, um elemento de progresso, uma evolução grandiosa que permite robustecer a nacionalidade argentina para que temple e regenere a raça branca… para que nossos filhos e os filhos dos imigrantes se identifiquem em um só amor, para que nossa raça se salve, para que nosso estado social se melhore.” — Bartolomé Mitre, Discurso sobre a imigração espontânea na República Argentina

Em sua obra historiográfica mais famosa, Historia de Belgrano y de la independencia argentina, Mitre analisa as relações coloniais e a formação da sociedade argentina. Nela, ele naturaliza a dominação espanhola sobre os povos originários usando uma ótica puramente racista de “raça dominadora” versus “raça dominada”:

“O espanhol, implantado em um império conquistado e explorando o trabalho de uma raça dominada, impunha-se como o feudalismo europeu… [No Rio da Prata, os mestiços] constituíam o nervio da colônia… uma nova raça destinada a ser a dominadora no país.” — Bartolomé Mitre, Historia de Belgrano

Mitre defendia que, diferentemente do Peru ou do México, onde a “massa indígena” persistia como um “entrave” sem se assimilar, a região do Rio da Prata havia sido abençoada com uma precoce unificação em torno de uma identidade criolla (de descendência espanhola), o que facilitaria a transição para uma nação puramente europeizada.

Na prática política, Mitre foi o destinatário de uma das cartas mais infames da história argentina, enviada por Sarmiento em 20 de setembro de 1861, logo após a Batalha de Pavón. Sarmiento, que atuava sob as ordens de Mitre para “pacificar” as províncias do interior, escreveu-lhe aconselhando a não ter clemência com a população rural e mestiça (os gaúchos de tendência federal):

“Não tente economizar sangue de gaúchos. Este é um adubo que é preciso tornar útil ao país. A sangue dessa chusma crioula incivil, bárbara e ruda é a única coisa que eles têm de seres humanos.” — Carta de Domingo F. Sarmiento a Bartolomé Mitre, 1861

Embora a frase seja de Sarmiento, Mitre, como comandante em chefe e presidente, validou e financiou essa política. Sob o seu governo, as campanhas militares no interior da Argentina (conhecidas como as “campanhas de pacificação”) funcionaram como uma caçada humana sistemática contra os caudilhos locais e suas bases sociais mestiças, preparando o terreno geográfico e político para o posterior extermínio indígena na Patagônia.

Mitre frequentemente usava a retórica da igualdade formal perante a lei para angariar o apoio e os votos da população afro-argentina (conhecida na época como “a classe de cor”), alegando que o país havia sido pioneiro na abolição da escravidão. No entanto, essa igualdade só existia no papel.

Em resposta a essas manobras políticas de Mitre no jornal Los Debates, a própria imprensa da comunidade negra de Buenos Aires (através de jornais como La Raza e La Juventud) denunciava a hipocrisia e o racismo velado de seu governo. Em 1855, um editorial afro-argentino desabafou contra as falsas promessas da elite liderada por Mitre:

“Os negros eram excluídos de todo direito de aspirar a qualquer cargo público, sem se lembrarem de que, para que os brancos gozassem desse direito, foram os primeiros a abandonar suas famílias e seus lares para voar a defender a pátria. E qual foi a recompensa? O desprezo, a humilhação. A liberdade em nossa pátria só existe na forma.” — Artigo de protesto no jornal afro-argentino “La Crónica”, 1855, rebatendo as elites governantes

Durante o século XIX, o Império Maçônico do Brézil discutia a imigração europeia não apenas como força de trabalho, mas como uma ridícula ferramenta biológica de “salvação” da identidade nacional diante da abolição da escravidão.

Francisco Adolfo de Varnhagen (Visconde de Porto Seguro)

O mais influente historiador do período imperial expressava abertamente a tese do desaparecimento inevitável e desejável das raças consideradas não brancas:

“Julgo também que na ordem do desaparecimento a natureza há de proceder pela mesma forma. O tronco negro há de desaparecer antes do amarelo e assim sucessivamente até o branco.”

Arthur de Gobineau (Diplomata francês radicado no Brasil)

Gobineau, amigo pessoal de Dom Pedro II, expressou em seus relatórios oficiais o pessimismo racial da elite imperial sobre a miscigenação brasileira:

“Nenhum brasileiro é de sangue puro; as combinações dos casamentos entre brancos, indígenas e negros multiplicaram-se a tal ponto que os matizes de carnação são inúmeros… É uma população totalmente mulata, viciada no sangue e no espírito, e assustadoramente feia.”

Voltando para Taxonomia Racial de Sarmiento: Ao analisar a obra tardia do maçom argentino Sarmiento, Conflicto y armonía de las razas en América (1883), é possível apontar que o racismo dele não era monolítico, mas estruturado em hierarquias:

Os Quichuas e Guarani (Indígenas “Dóceis”): Eram vistos por Sarmiento como povos submissos e domesticados. Embora inadequados para o exercício pleno da cidadania democrática republicana, eram tolerados em posições de subordinação e servidão laboral.

Os Arauco-Pampeanos (Indígenas “Indômitos”): Considerados por ele como “menos aptos para a civilização” e refratários à domesticação. Para este grupo, a única resposta aceitável dentro de seu modelo de Estado era a aniquilação física — justificando moralmente a violenta Campanha do Deserto.

Os negros (africanos): Sarmiento lhes atribuía traços de “fidelidade” e “submissão ao amo” superiores aos dos indígenas. Apesar dessa visão paternalista, seu modelo de nação idealizada não reservava espaço para a permanência física e cultural do elemento afrodescendente, cuja dissolução demográfica foi ativamente buscada pelas elites da época.

“Pode ser injusto exterminar selvagens… mas pergunto: a febre amarela é injusta?” O tifo é injusto? São leis da natureza que operam para a limpeza do globo.” (Domingo F. Sarmiento, o então presidente maçom argentino). Essa frase do maçom Sarmiento demonstra como o racismo científico tentava disfarçar o extermínio e a violência por meio do poder governamental, como se fossem “leis naturais” inevitáveis. Por isso, combatemos o racismo hoje para que a dignidade humana nunca mais seja tratada como uma questão de “saneamento biológico”.

“… a seleção sexual tende naturalmente a fazer com que o mulato busque o branco para seus descendentes, limpando a descendência dos traços da raça inferior.” (João Baptista de Lacerda – Congresso das Raças, 1911). Essa outra frase revela a violência psicológica e a rejeição de que a ideologia eugênica e, portanto, narcisista — para não dizer logo satânica — do “branqueamento” tentava impor à população mestiça, negando a própria identidade do povo argentino e humana confeccionada variadamente pelo Bom Deus, criador do Céu e da Terra!

“A população rural das províncias, que tantas vezes se voluntariara para batalhas ao mero chamado dos caudilhos, recusou-se a participar de uma guerra que não considerava sua. Sentindo-se mais próximos da província irmã do Paraguai do que da elite de Buenos Aires e dos ‘macacos’ brasileiros, recusaram-se a alistar-se, o que levou a deserções e levantes em muitos batalhões do interior. O arquivo histórico contém uma fatura de um ferreiro de Catamarca por “duzentas algemas para os voluntários da Guerra do Paraguai”. (Leonardo Castagnino em Guerra del Paraguay – La Triple Alianza contra Los Paises del Plata)

Ou seja, não é de hoje a mania desumana e esdrúxula de apelidar o nosso povo de macaco. O autor, em questão, remonta à utilização do termo “macaco” enquanto apelido pejorativo e xenófobo que os federalistas das províncias argentinas (como os partidários de chefes militares como Ricardo López Jordán e os gaúchos de Entre Ríos e Corrientes) usavam para se referir aos soldados do Império Maçônico do Brézil que invadiram e trucidaram o Paraguai.

Para a população rural do interior argentino, a guerra era vista como uma aliança espúria entre a elite portenha de Buenos Aires (que eles detestavam) e o exército imperial brasileiro, que frequentemente invadia e intervinha militarmente na região do Rio da Prata.

Eles se recusavam a lutar ao lado dessas duas forças contra os paraguaios, a quem consideravam irmãos de sangue e cultura, mas que nos chamavam de “macacos”. Como descreve o historiador Fermín Chávez em obras citadas por Castagnino: “Os entrerrianos estão dispostos a se incorporar para fazer a guerra a ‘porteños e macacos’, mas se recusam a lutar contra o Paraguai…”

Monteiro Lobato (1882–1948) foi um dos maiores entusiastas e propagandistas do movimento eugênico no Brasil na década de 1920. Ele financiou e publicou livros de eugenistas (como Renato Kehl) e defendeu teses extremistas de segregação racial e “melhoramento” genético da população.

Em uma carta escrita em 1908 ao seu amigo Godofredo Rangel, Lobato lamenta a falta de conflito racial aberto no Brasil, alegando que a miscigenação destruía a pureza biológica:

“O amor matou no Brasil a possibilidade de uma suprema expressão biológica. O ódio criou na América [EUA] a glória do eugenismo humano. Impediu que uma raça desnaturasse, descristalizasse a outra, e conservou ambas em estado de relativa pureza.”

Em 1927, ao tentar publicar nos Estados Unidos seu romance futurista O Presidente Negro (originalmente intitulado O Choque das Raças), ele enfrentou a recusa de editores que acharam o livro ofensivo. Em carta novamente a Godofredo Rangel, ele desabafa:

“Meu romance não encontra editor. (…) Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tantos séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue-frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros.”

Na mesma correspondência com Rangel, ao discorrer sobre suas teorias de melhoramento populacional de matriz eugênica, Lobato escreve de forma crua:

“Precisamos lançar, vulgarizar estas ideias. A humanidade precisa de uma coisa só: poda. É como a vinha.”

As teses racistas e de hierarquia biológica de Lobato também se infiltraram em sua consagrada literatura para crianças (Sítio do Picapau Amarelo), especialmente por meio do tratamento dispensado à personagem Tia Nastácia, frequentemente desumanizada e reduzida a termos zoológicos ou ofensivos pelas falas de Emília e pela própria voz do narrador.

Em Histórias de Tia Nastácia, ao criticar os contos populares narrados pela cozinheira, a boneca Emília destila o preconceito estético e racial de Lobato:

“— Pois cá comigo — disse Emília — só aturo essas histórias como estudos da ignorância e burrice do povo. Prazer não sinto nenhum. Não são engraçadas, não têm humorismo. Parecem-me muito grosseiras e bárbaras — coisa mesmo de negra beiçuda, como tia Nastácia.”

Em passagens da obra, a cor da pele negra é colocada no campo da anormalidade ou da punição divina:

— Perdemos o anjinho só por sua culpa. Burrona! Negra beiçuda! Deus, que te marcou, alguma coisa em ti achou. Quando ele preteja uma criatura é por castigo…” (Fala de Emília para Tia Nastácia).

Enfim, o resgate dessas falas não visa criar mais inimizades; muito pelo contrário, desejamos que a América Latina e o mundo compreendam que não há espaço para o racismo eugênico, narcisista e nazi-fascista numa Nação Católica, pois nossa Pátria é, antes de tudo, Celeste.

Fontes:

https://www.cervantesvirtual.com/obra-visor/sobre-indios-afroamericanos-y-los-racismos-de-sarmiento/html/dcd6d148-2dc6-11e2-b417-000475f5bda5_3.html

https://www.lagazeta.com.ar/guerradelparaguay.htm